O desenvolvimento de medicamentos biológicos vem passando por uma importante transformação, impulsionada pela busca por métodos mais representativos da fisiologia humana e pela redução da dependência de testes em animais. Nesse contexto, a Food and Drug Administration (FDA) tem incentivado a adoção das chamadas New Approach Methodologies (NAMs), um conjunto de abordagens que inclui modelos in vitro, inteligência artificial e outras tecnologias capazes de fornecer dados mais preditivos para o desenvolvimento farmacêutico.
Essa iniciativa busca tornar o processo de desenvolvimento de medicamentos mais eficiente, reduzindo custos, acelerando a pesquisa e ampliando a segurança dos novos tratamentos. O movimento é especialmente relevante para terapias com anticorpos monoclonais (mAbs) administrados por via subcutânea, uma classe de medicamentos cujo desenvolvimento apresenta desafios específicos.
O desafio do desenvolvimento de anticorpos monoclonais subcutâneos
A administração subcutânea de anticorpos monoclonais vem se tornando uma alternativa cada vez mais utilizada devido às vantagens que oferece aos pacientes, como maior conforto, possibilidade de autoadministração e redução da necessidade de infusões hospitalares.
Apesar desses benefícios, prever o comportamento dessas formulações após a aplicação continua sendo um dos principais desafios do desenvolvimento farmacêutico.
Após a injeção, o medicamento precisa atravessar um ambiente fisiológico complexo antes de alcançar a circulação sistêmica. Durante esse processo, diversos fatores podem influenciar diretamente seu desempenho, entre eles:
- liberação do medicamento;
- absorção;
- biodisponibilidade;
- potencial imunogênico.
Compreender esses mecanismos é fundamental para desenvolver terapias mais seguras e eficazes.
As limitações dos modelos animais
Durante muitos anos, modelos animais foram utilizados para investigar o comportamento de medicamentos administrados por via subcutânea.
Entretanto, esses modelos nem sempre conseguem reproduzir com precisão as características do tecido subcutâneo humano. Como consequência, diferenças entre os resultados pré-clínicos e o desempenho clínico podem dificultar a previsão da absorção do medicamento e das respostas imunológicas observadas em pacientes.
Essa limitação tem impulsionado o desenvolvimento de metodologias alternativas capazes de representar de forma mais fiel o ambiente fisiológico humano.
O papel das New Approach Methodologies (NAMs)
As New Approach Methodologies (NAMs) reúnem diferentes tecnologias desenvolvidas para complementar ou substituir os modelos animais durante o desenvolvimento de medicamentos.
Entre essas abordagens estão:
- modelos in vitro baseados em sistemas biomiméticos;
- ferramentas computacionais;
- modelos baseados em inteligência artificial;
- outras metodologias capazes de gerar dados com maior relevância para a fisiologia humana.
Ao incentivar o uso dessas tecnologias, a FDA reforça a importância da geração de evidências baseadas em métodos mais preditivos e alinhados às necessidades atuais da pesquisa farmacêutica.
Além disso, a agência tem promovido iniciativas que estimulam desenvolvedores de anticorpos monoclonais a incorporar estratégias baseadas em métodos não animais na geração de evidências regulatórias.
SCISSOR: simulando o ambiente subcutâneo in vitro
Entre as tecnologias desenvolvidas para atender essa necessidade destaca-se o SCISSOR (Subcutaneous Injection Site Simulator), da Píon.
Projetado especificamente para estudos com formulações administradas por via subcutânea, o sistema foi originalmente desenvolvido e validado utilizando anticorpos monoclonais e reúne mais de 10 anos de experiência em estudos in vitro desse tipo.
O SCISSOR reproduz, em ambiente controlado, características do tecido subcutâneo humano, permitindo que pesquisadores avaliem o comportamento das formulações antes da realização dos estudos clínicos.
O que o SCISSOR permite avaliar?
A plataforma possibilita comparar diferentes formulações quanto a parâmetros importantes para o desenvolvimento farmacêutico, incluindo:
- cinética de liberação do medicamento após a injeção;
- comportamento da formulação no tecido subcutâneo;
- influência da formulação sobre a liberação do princípio ativo;
- potencial risco de imunogenicidade.
Essas informações ajudam pesquisadores a selecionar as formulações mais promissoras e a otimizar o desenvolvimento de medicamentos biológicos ainda nas fases iniciais da pesquisa.
O artigo original da Píon também destaca uma publicação da AstraZeneca, que demonstra o potencial de modelos in vitro para apoiar o desenvolvimento de terapias administradas por via subcutânea, reforçando a capacidade dessas plataformas de gerar dados mais representativos da resposta humana.
Benefícios dos modelos in vitro para o desenvolvimento farmacêutico
A utilização de plataformas como o SCISSOR oferece diversas vantagens para pesquisadores e indústrias farmacêuticas.
Entre os principais benefícios estão:
- redução da dependência de modelos animais;
- maior representatividade das condições fisiológicas humanas;
- comparação rápida entre diferentes formulações;
- otimização do desenvolvimento de medicamentos biológicos;
- geração de dados relevantes para a tomada de decisões nas etapas iniciais do desenvolvimento.
À medida que essas metodologias evoluem, espera-se que elas desempenhem um papel cada vez mais importante tanto na pesquisa quanto nos processos regulatórios.
Um novo cenário para o desenvolvimento de medicamentos
O incentivo ao uso de metodologias alternativas representa um avanço importante para o desenvolvimento farmacêutico, aproximando a pesquisa de modelos experimentais mais representativos da fisiologia humana.
Nesse contexto, plataformas in vitro como o SCISSOR contribuem para reduzir incertezas durante o desenvolvimento de anticorpos monoclonais administrados por via subcutânea, fornecendo informações que auxiliam na seleção de formulações mais promissoras antes do início dos estudos clínicos.
À medida que essas tecnologias ganham espaço, elas tendem a desempenhar um papel cada vez mais relevante no desenvolvimento de medicamentos biológicos mais seguros, eficientes e alinhados às novas tendências regulatórias.
Como a Flowscience pode apoiar sua pesquisa
O avanço das metodologias in vitro reforça a importância da utilização de tecnologias capazes de gerar dados mais representativos e confiáveis durante o desenvolvimento farmacêutico. Soluções que simulam condições fisiológicas humanas permitem otimizar formulações, reduzir riscos nas etapas pré-clínicas e apoiar decisões mais assertivas ao longo da pesquisa.
Como representante da Píon no Brasil, a Flowscience oferece soluções para caracterização físico-química, estudos de dissolução, permeabilidade e plataformas especializadas para avaliação de formulações administradas por via subcutânea, como o SCISSOR. Essas tecnologias apoiam universidades, centros de pesquisa e indústrias farmacêuticas no desenvolvimento de terapias mais seguras, eficientes e alinhadas às tendências atuais da pesquisa e da inovação.
Se deseja conhecer as tecnologias da Píon e entender como elas podem contribuir para seus projetos de pesquisa e desenvolvimento, entre em contato com a equipe da Flowscience.
Fonte: Artigo original da Píon – FDA Shift in SubQ mAb Testing
Artigo original:
https://www.pion-inc.com/blog/fda-shift-in-subq-mab-testing



